Os Quatro Panteões
sábado, 11 de agosto de 2012
Os Quatro Panteões || Capítulo 16 - Nuvem Vermelha
Em um enxame interminável, como abelhas vermelhas atacando em nome da colmeia, as criaturas aproximavam-se, suas garras e presas prontas para o abate. Eram inúmeros e cada um teria facilmente o tamanho de um elefante africano. Suas cabeças eram rodeadas por chifres, como se portassem coroas de espinhos. Seus olhos eram do mesmo vermelho sangrento que as escamas de seus corpos.
- Dragões... - murmurou Ártemis.
E eles vinham, sem parar. Vorazes.
Poseidon tomou a dianteira. Postando-se diante dos outros deuses, ele levantou as mãos, como se quisesse invocar algo. Apolo e Ares pareciam explicitamente indignados pelo deus ter tomado a dianteira.
- Ele está convocando as forças dos mares para nos ajudar - disse a Heracles uma figura pálida, vestida de negro - Mas estamos em um ponto muito distante e elevado em relação às águas agora, vai demorar um pouco.
Era Morfeu quem lhe dirigia a palavra. O deus de cabeleira densa e esparramada por sobre o rosto e olhos completamente negros parecia ter percebido a dúvida do companheiro.
- Hum, vejo que foi mais rápido do que pensei - disse, quando um distante ruído começou a ser ouvido.
O ruído começou a intensificar-se mais e mais, até que finalmente revelou-se como um colossal turbilhão de água na frente deles. Um verdadeiro ciclone aquático. Poseidon parecia furioso e movia suas mãos conforme o turbilhão se mexia, controlando-o. Parecia entretanto ter alguma dificuldade em fazê-lo de tão longe dos oceanos.
O turbilhão atingiu em cheio a nuvem de criaturas, atravessando-a. Dezenas de dragões foram imediatamente sugados, arremessados e afogados naquelas águas, que já ficavam vermelhas ao misturarem-se com o sangue das criaturas, tamanha era a sua pressão e força.
Um dos dragões, por muito pouco, conseguiu escapar do ataque. Avançando e grunhindo, ele tentou aproximar-se do Olimpo, para então sobrevoá-lo como se tentasse descobrir uma presa para atacar. Abaixo dele, em meio aos deuses, Hélio levantou os punhos e os direcionou-os cerrados e unidos em direção a criatura acima. Após respirar profundamente, o deus exclamou algo ininteligível e de seus punhos um feixe de calor, mais claro que o próprio Sol, partiu em direção ao monstro. O raio durou apenas um segundo, durante o qual a noite pareceu ter virado o mais iluminado dia. No segundo seguinte, o dragão já caía, chamuscado e partido ao meio, pouco atrás dele. As criaturas não eram tão grandes quanto pareceriam de longe, cada uma tinha o tamanho de um touro.
- Isso não será o bastante - disse Atena para Poseidon - Essa foi só a primeira leva, mais deles estão vindo. Você não poderá conter todos assim, meu tio.
- Então trate de fazer a sua parte Atena! - rugiu o rei dos mares, enquanto concentrava seus esforços em derrubar todas as criaturas que via com suas águas.
Logo a previsão da deusa provara-se correta. Mesmo de noite, o horizonte inteiro tornara-se vermelho como o sangue. Eles não paravam de vir.
- Espero que não estejam pensando em se acovardar como da última vez! - disse uma voz grave e áspera atrás de Heracles.
Era Hefesto quem vinha. Grande, cinzento e deformado, Hefesto vestia uma pesada armadura cinzenta que ele mesmo construíra. Sua boca era entortada de um jeito estranho, deixando alguns dentes afiados a mostra no lado esquerdo do rosto, suas orelhas eram pontudas e possuía um longo e sujo cavanhaque crespo, era praticamente calvo, mas alguns poucos fios negros escorriam por debaixo do grande elmo negro que usava, era incrivelmente grande e forte, embora incrivelmente corcunda. Sobre os ombros, trazia um punhado de belíssimas armas, brilhantes, de todas as cores e formatos.
- Espero que não se importem, mas dei uns retoques em algumas de suas favoritas - disse o ferreiro, enquanto distribuía as poderosas armas entre os deuses.
Apolo recebera sua lança dourada, Atena uma espada prateada e um escudo, Ares uma espada grande e vermelha como sangue. Ártemis recebera seu arco e Poseidon, mesmo ocupado, recebera com uma das mãos um imenso tridente azul como a mais preciosa safira. Heracles recebera sua antiga pele de leão e uma espada nova, absurdamente resistente e pesada. Em pouco tempo, todos os deuses estavam armados.
- Esses dragões são crias espontâneas do próprio corpo de Tifão - explicou Morfeu a Heracles, que continuava parecendo um pouco confuso - Da última vez, eles nos atacaram também, mas a maior parte dos deuses se acovardou e fugiu do Olimpo. Não podemos nos dar ao luxo de tamanha vergonha dessa vez, e mesmo que quiséssemos, Tifão com certeza deve tê-los posicionado de tal forma para que não possamos escapar desse vez.
As novas levas de dragões se aproximavam mais e mais. Atena arremessou seu escudo, que com um estrondo, liberou uma devastadora onde de choque, matando dezenas das criaturas. Deméter já brandia um grotesco machado retorcido e Ares, com sua espada levantada ao alto, gritou a seus companheiros:
- AQUELE MALDITO QUE NÃO FIZER A SUA PARTE E DILACERAR PELO MENOS CEM DESSAS CRIATURAS, SERÁ SERVIDO COMO PRATO PRINCIPAL NO BANQUETE DA VITÓRIA QUE TEREMOS ESSA NOITE!!! HAAAAAARRRRRRRH!!!!!
Os dragões atacaram. Os deuses atacaram. Flechas, raios e lanças foram lançadas. Algumas criaturas conseguiram desviar, só para serem dilaceradas assim que chegassem perto.
Um dos dragões conseguiu escapar a tudo e finalmente fora o primeiro a pousar no Olimpo. Não durou muito entretanto, já que assim que firmara suas garras, teve o corpo partido pelo machado de Pã, o deus dos bosques, que então passaria os próximos cinco minutos pisoteando seu corpo com seus pés de bode.
Perto dali, Nomos, o deus das leis, chegava com uma grande luneta de ouro. Dizia que tal equipamento poderia ser usado para ver o que se passava no Monte Cássio para aqueles entre eles que não possuíssem o dom da visão avantajada.
Um segundo dragão conseguira atravessar por toda aquela tormenta e pousara a frente de Heracles. Ainda confuso devido a todo o caos que atravessara, a criatura tentou avançar contra o deus, que com um murro arrancou fora sua mandíbula. O dragão agonizara, rastejando em meio ao próprio sangue que jorrava de sua cara quando Heracles, com a espada, finalizou-o em um só golpe.
- Sorte nossa que não podemos fugir - disse Heracles a Morfeu - pois imortal ou não, prefiro perder a própria vida a fazer isso.
Enquanto isso, no Monte Cássio:
Mesmo no escuro, mesmo nas trevas da noite o que ocorreria ali naquele momento poderia ser visto por qualquer um a quilômetros de distância. Pois dos golpes de um provinha uma luz dourada e inacreditável, vinda de raios que ele arremessava com as próprias mãos, e do outro, uma intensa chama vermelha podia ser vista sendo cuspida, incessantemente enquanto tentáculos venenosos moviam-se para todos os lados, formando uma tempestade de espinhos. A luta já estava em andamento...
Os Quatro Panteões || Capítulo 15 - Desafio Aceito
Os
restos mortais foram trazidos pela manhã. Uma carcaça pútrida e sem
vida alguma, menos que restos, mas restos que já pertenceram a um
imortal. Não fosse o elmo que usava ter continuado intacto, seria
impossível dizer que aquilo ali já fora Cérix, filho de Hermes, um
olimpiano.
Fora
caçado e devorado por uma criatura que retornara do subterrâneo,
apenas a primeira vítima de uma fúria e fome descontrolados. O pai não
estava em lugar algum para saber da notícia. Hermes e Dionísio estavam
ambos desaparecidos.
O resto do dia transcorrera-se bastante agitado entre os deuses.
Em
uma grande sala cercada por estantes de livros, em uma parte afastada
da morada divina que erguia-se sobre o Olimpo, Atena fitava Herácles
por trás de uma longa mesa de mármore, seus olhos sábios e inteligentes
estudavam o deus meticulosamente, como se pensasse e ponderasse sobre
mil diferentes assuntos de uma só vez.
-
Você precisa entender Herácles, desde seus tempos como mortal, sempre o
guiei e o forneci toda a ajuda que sempre precisou, só o que peço
agora é que possa contar com você, não importa o que aconteça, que seja
leal àqueles que sempre o trouxeram dádivas.
Era
verdade que de todos os deuses, Atena foi a que mais prezara quando
vivera na Grécia como mortal. Herácles a ela muito devia por todas as
suas aventuras. Aquela conversa entretanto...
Já
não era a primeira conversa particular que tinha com um deus naquele
dia, desde que o corpo de Cérix chegara e o desafio de Tifão fora
ouvido. Não, Apolo fora o primeiro. Chamara-o para um longo discurso
que tinha sobre como ambos eram parecidos, sobre como ele sempre fora o
mais amado e querido dentre os deuses e aquele que melhor possuía as
qualidades de um líder. Dissera a Herácles ideias sobre um mundo melhor
que tinha em mente e como poderiam construí-lo juntos em um futuro
próximo e que, o que quer que acontecesse na batalha, deveriam
permanecer unidos. Herácles não entendeu bem do que se tratava tudo
aquilo, talvez fosse a atmosfera caótica de batalha em que se
encontravam, talvez o deus só quisesse ter certeza de que ele não os
trairia caso um inimigo muito forte chegasse.
Depois
veio Ares. O truculento deus da guerra aproximara-se dele, quando
caminhava por um corredor. Disse-lhe como eram ambos poderosos
guerreiros ,que sabiam muito bem das verdades sujas da guerra e não se
prendiam a tolas músicas e ilusões. Disse-lhe que se fosse um verdadeiro
homem, não se deixaria levar por qualquer “farsa” ou “embuste” e
ajudasse aqueles que são verdadeiros líderes capazes a terem seus
direitos garantidos.
Outra
conversa estranha. Era tudo confuso, talvez fosse o tipo de coisa que
os deuses dissessem sempre em momentos de crise, talvez Herácles
devesse apenas se acostumar com esse tipo de coisa. Enfim, lá estava
Atena, pedindo-lhe lealdade também.
Será
que os deuses duvidavam que fosse capaz de lutar ao lado deles caso
Tifão tentasse algo? Será que achavam que fosse fugir da batalha e
deixá-los ou coisa parecida? Ou estaria apenas entendendo de forma
errônea o que queriam dizer?
O
quer que fosse, devia tirar da cabeça agora, a noite chegara, e com
ela a tempestade. Todos os deuses foram convocados por Zeus. A hora
finalmente chegara.
No
topo do Olimpo, em pé à sua borda, Zeus fitava os céus, olhando
fixamente na direção aonde o Monte Cássio se encontrava. Suas longa
barba e cabelos brancos esvoaçavam ante aos frios ventos da noite.
Visitara as soldas de Hefesto a pouco e de lá retornara, revestido de
uma extraordinária armadura dourada. Revestidas de metais ancestrais e
magias sagradas, adornada com os símbolos e runas de séculos atras.
Presa às costas trazia o que parecia uma grande caixa dourada, cujas
bordas emitiam um brilho claro como o Sol, provindo dos raios e armas
que trazia dentro.
Atrás
dele posicionaram-se Poseidon, Atena, Apolo, Ártemis, Ares e Deméter.
Todos de pé, preparados para receberem as ordens do rei de seu panteão.
Outros deuses amontoavam-se ao redor deles, todos com seus olhares
atentos voltados a Zeus.
Hera
chegara depois de pouco tempo, vestindo um pomposo vestido de plumas
de pavão, carregando nas mãos uma bela taça de néctar dos deuses. O
marido o recebeu e bebeu seu conteúdo de uma só vez, estremeceu um
pouco o rosto e devolveu o cálice.
Após tomar um pouco de ar, o rei dos deuses daquelas terras gritou, com sua retumbante voz:
-
OUSA ME DESAFIAR DEPOIS DE JÁ TÊ-LO EU MESMO O DERRUBADO E MANDADO
PARA OS CONFINS DAS TREVAS, VERME?! POIS BEM, TIFÃO, PELA MINHA HONRA
ACEITAREI SEU DESAFIO!!!!!
As
palavras ecoaram tão alto quando os urros do monstro ao qual elas
dirigiam-se a responder. Ele ouviria aquilo. Transformando-se numa
imensa águia dourada, Zeus alçou voo e partiu para o Monte Cássio
enfrentar seu destino.
Após
ele partir, ali, do topo das montanhas, uma longínqua e rubra nuvem
podia ser vista. Uma nuvem que ficava maior e maior, como se estivesse
se aproximando.
Os
deuses silenciaram-se. Herácles pareceu confuso, mas eles pareciam
saber do que se tratava, como uma lembrança ruim que a séculos tentavam
esquecer.
- Dragões... - murmurou Ártemis.
Em algum lugar em meio a montanhas, distante do Olimpo ou do Monte Cássio:
O céu estava escuro e fechado. Nuvens densas cobrindo-o até onde o olho alcança.
Os ventos cortantes e gelados atravessavam as montanhas, cortando o vale como uma cortina de frio e morte. Sons de trovões podiam ser ouvidos, distantes, como abafados tambores de guerra anunciando presságios funestos, como uma sinfonia remota aclamando premeditadamente eventos obscuros.
Um relâmpago cingiu o ar e rachou a terra. O barulho do trovão logo o seguiu, um som elevado e majestoso. Um relâmpago que não era como os outros relâmpagos. Um trovão que não era como os outros trovões. Das cinzas do impacto que o raio deixara, uma figura levantou-se para novamente andar na terra. Em uma mão segurava uma lança, na outra... um martelo.
Os Quatro Panteões || Capítulo 14 - O Trovão e o Vigia
Em Asgard:
- Eu sinto... eu sinto o fim de todos os mundos e de todas as eras.... a resposta está em Midgard! Thor, você precisa ir!
A essa altura, poderiam ser apenas delírios, apenas ilusões sofridas por um doente acamado. Ele já estava em um péssimo estado afinal. Mas aquele era Odin, e sua palavra não era pouca coisa, mesmo naquele estado.
Primeiro houve o desaparecimento repentino de Bragi. E então, isso. O poderoso deus adoecera, de repente. Um evento que pegara a todos de surpresa pela simples impossibilidade disso acontecer. Mesmo acamado, o senhor de Asgard ainda parecia portar um gigantesco poder, e uma gigantesca sabedoria.
Ele não
parava de falar sobre aquelas coisas, mesmo durante o sono. Balbuciava
profecias antigas, lendas esquecidas, tudo o que de acordo com ele,
direcionava-os aos eventos daquela era, que a tudo mudariam. E agora
pedia a seu próprio filho, Thor, para que descesse ao Midgard. Isso não
seria problema nenhum, se não fosse aqueles a quem o filho deveria
encontrar. De acordo com Odin, Thor deveria encontrar os outros panteões
divinos. Não só encontra-los, mas fazer a paz entre eles. Precisariam
evitar, a qualquer custo, uma guerra entre eles, ou não haveria depois
disso, nada mais pelo que lutar.
- Esse plano é absurdo - disse-lhe Tyr - os egípcios não são confiáveis, e os olimpianos não passam de brutos pervertidos e sanguinários! Se tentarmos um contato com eles, aí sim teremos guerra!
- Confie em mim Tyr - respondeu-lhe tossindo o adoecido Odin - Não temos outra escolha a não ser tentarmos. Deixemos aos ventos, e estaremos todos condenados.
Vários deuses rodeavam o rei de Asgard em seu leito. Thor, Tyr, e Frey eram os que mais estavam próximos dele ali. Os dois últimos governavam Asgard sob o nome e as ordens de Odin nesse momento de crise.
- Eu confio em tuas palavras, meu pai - disse Thor, determinado - Confie também em minha força e em meu martelo. Descerei até a Terra novamente e descobrirei a fonte desses desastre que clamas tão veementemente!
- Seu martelo... Thor, ouça-me. Aconteça o que acontecer, não os ataque. É preciso que haja paz nos panteões... é preciso que se preparem..... que se preparem para a ameaça..... a a-ameaça que que está vindo. Eu a vejo........ vejo.... mas é nebulosa demais para que possa..... identifica-la.
- Pai... eu entendo.
- Perigos que ainda não conhece chegaram - anunciou-lhe o pai, então apontando para uma relíquia que a esposa do filho, Sif trazia em suas mãos - Aqui, pegue-a! Não estou em condições de usá-la mesmo.
Entregou-lhe a esplêndida lança. Aquela era Gungnir, a arma sagrada de Odin.
- Esse plano é absurdo - disse-lhe Tyr - os egípcios não são confiáveis, e os olimpianos não passam de brutos pervertidos e sanguinários! Se tentarmos um contato com eles, aí sim teremos guerra!
- Confie em mim Tyr - respondeu-lhe tossindo o adoecido Odin - Não temos outra escolha a não ser tentarmos. Deixemos aos ventos, e estaremos todos condenados.
Vários deuses rodeavam o rei de Asgard em seu leito. Thor, Tyr, e Frey eram os que mais estavam próximos dele ali. Os dois últimos governavam Asgard sob o nome e as ordens de Odin nesse momento de crise.
- Eu confio em tuas palavras, meu pai - disse Thor, determinado - Confie também em minha força e em meu martelo. Descerei até a Terra novamente e descobrirei a fonte desses desastre que clamas tão veementemente!
- Seu martelo... Thor, ouça-me. Aconteça o que acontecer, não os ataque. É preciso que haja paz nos panteões... é preciso que se preparem..... que se preparem para a ameaça..... a a-ameaça que que está vindo. Eu a vejo........ vejo.... mas é nebulosa demais para que possa..... identifica-la.
- Pai... eu entendo.
- Perigos que ainda não conhece chegaram - anunciou-lhe o pai, então apontando para uma relíquia que a esposa do filho, Sif trazia em suas mãos - Aqui, pegue-a! Não estou em condições de usá-la mesmo.
Entregou-lhe a esplêndida lança. Aquela era Gungnir, a arma sagrada de Odin.
- O Mjolnir é poderoso, mas por garantia, visto as coisas que poderá encontrar.... é melhor usar isto também.
Em uma mão o poderoso Mjolnir, na outra a divina Gungnir. Thor tinha agora o poder para seguir adianta em sua nova missão.
Em Bifrost:
Em pé, sempre de guarda, o antigo imortal cumpria seu trabalho divino, sua tarefa suprema. Ali, sobre a esplendida Bifrost, sem dormir um único dia, Heimdall prosseguia sua vigia.
A visão majestosa que se tinha do universo era inigualável, não importasse o mundo em que se vivesse, não encontraria-se outra igual. Nove mundos, nove reinos de tamanho e proporções além da compreensão de qualquer ser que neles habitasse, nove mundos cheios de riqueza e vastidão:
Jotunheim, a selvagem terra dos gigantes Jotuns; Nidavellir, o mundo subterrâneo dos anões; Alfheim, terra dos elfos; a sagrada Vanaheim; Svartalfheim, terra dos elfos sombrios; as congeladas e fúnebres terras do Niflheim e o flamejante mundo de Musphelhein. Ao fim da ponte ficava Asgard, a morada de seus irmãos, de seu panteão. Ao fim da outra borda da ponte, abaixo, muito abaixo ficava Midgard.
Midgard... não possuía as maiores riquezas. Era povoada por um dos povos mais fracos da criação, pelos mortais humanos, que às mínimas fraquezas, que à menor doença, já pereciam. Mas era em Midgard que tudo aconteceria, que tudo sempre aconteceu. Muitos povos imortais das mais distintas origens migraram para lá. E monstros e criaturas com poderes além da imaginação nasciam de suas passagens. Havia algo de estranho com Midgard, afinal. Sempre houve algo.
Um homem alto, forte, com uma longa cabeleira castanha aproximava-se, descendo a ponte. Em uma mão carregava um martelo, na outra um lança.
- Eu os ouvi Thor, já sei de tua missão. Acha que está pronto para enfrentar os perigos que virão?
Em Bifrost:
Em pé, sempre de guarda, o antigo imortal cumpria seu trabalho divino, sua tarefa suprema. Ali, sobre a esplendida Bifrost, sem dormir um único dia, Heimdall prosseguia sua vigia.
A visão majestosa que se tinha do universo era inigualável, não importasse o mundo em que se vivesse, não encontraria-se outra igual. Nove mundos, nove reinos de tamanho e proporções além da compreensão de qualquer ser que neles habitasse, nove mundos cheios de riqueza e vastidão:
Jotunheim, a selvagem terra dos gigantes Jotuns; Nidavellir, o mundo subterrâneo dos anões; Alfheim, terra dos elfos; a sagrada Vanaheim; Svartalfheim, terra dos elfos sombrios; as congeladas e fúnebres terras do Niflheim e o flamejante mundo de Musphelhein. Ao fim da ponte ficava Asgard, a morada de seus irmãos, de seu panteão. Ao fim da outra borda da ponte, abaixo, muito abaixo ficava Midgard.
Midgard... não possuía as maiores riquezas. Era povoada por um dos povos mais fracos da criação, pelos mortais humanos, que às mínimas fraquezas, que à menor doença, já pereciam. Mas era em Midgard que tudo aconteceria, que tudo sempre aconteceu. Muitos povos imortais das mais distintas origens migraram para lá. E monstros e criaturas com poderes além da imaginação nasciam de suas passagens. Havia algo de estranho com Midgard, afinal. Sempre houve algo.
Um homem alto, forte, com uma longa cabeleira castanha aproximava-se, descendo a ponte. Em uma mão carregava um martelo, na outra um lança.
- Eu os ouvi Thor, já sei de tua missão. Acha que está pronto para enfrentar os perigos que virão?
-
E quando foi que não estive - respondeu-lhe com um sorriso - Posso não
conhece as ameaças que vão além de nosso panteão Heimdall, mas acredite,
não descansarei até que tudo seja resolvido, irei curar meu pai!
O vigia olhou-o apreensivo. Não sabia se algo assim seria possível. Entregou ao deus um envelope dourado, lacrado e de aspecto curioso, iria confiar nele afinal. Grandes perigos podiam ser sentidos do outro lado da ponte, mas se havia alguém que poderia fazer frente a eles, esse alguém era Thor.
- Gostaria de ir também, mas não posso largar meu dever aqui. Esse envelope contém um mapa especial, detalhando toda a terra de Midgard e dos outros oito mundos como eles são agora. Até que nos encontremos de novo, manterei meus olhos abertos, e saberei tudo o que for preciso para ajudá-lo. Agora vá e se apresse, filho de Odin.
Thor agradeceu-lhe. Com suas armas em mãos, com a lança bem guardada, partiu para as terras mortais, cheio de sua determinação. “O destino decidirá o fim de cada carta agora”, pensou Heimdall. O destino...
Um estranho som, um leve, quase inaudível deslizar. Parecia mais próximo do que deveria, muito mais.
“Não é possível’” pensou. Ele via tudo, ouvia tudo. Sua visão aguçada ia além da de qualquer outra! Ele teria visto se algo chegasse assim tão próximo, ele teria ao menos escutado! Do que se tratava isso?
O deslizar se aproximava.
Heimdall, com os poderes que tinha, com seus sentidos, deveria ter percebido a criatura muito antes. Mas o que quer que o impedira de fazê-lo, o que quer que fosse, já não importava mais. Soprara sua corneta, soprara Giallahorn, com toda a sua força para que todo o mundo ouvisse. Para que toda a Asgard se preparasse.
A monstruosidade colossal grunhia e emitia silvos, estava agora a sua frente, elevando-se às alturas. Fizera um rombo em Bifrost, na área que atravessara para chegar ali. Isso era algo que estava além das capacidades mesmo de uma criatura dessas.
“Algo está errado!” pensara Heimdall.
O vigia olhou-o apreensivo. Não sabia se algo assim seria possível. Entregou ao deus um envelope dourado, lacrado e de aspecto curioso, iria confiar nele afinal. Grandes perigos podiam ser sentidos do outro lado da ponte, mas se havia alguém que poderia fazer frente a eles, esse alguém era Thor.
- Gostaria de ir também, mas não posso largar meu dever aqui. Esse envelope contém um mapa especial, detalhando toda a terra de Midgard e dos outros oito mundos como eles são agora. Até que nos encontremos de novo, manterei meus olhos abertos, e saberei tudo o que for preciso para ajudá-lo. Agora vá e se apresse, filho de Odin.
Thor agradeceu-lhe. Com suas armas em mãos, com a lança bem guardada, partiu para as terras mortais, cheio de sua determinação. “O destino decidirá o fim de cada carta agora”, pensou Heimdall. O destino...
Um estranho som, um leve, quase inaudível deslizar. Parecia mais próximo do que deveria, muito mais.
“Não é possível’” pensou. Ele via tudo, ouvia tudo. Sua visão aguçada ia além da de qualquer outra! Ele teria visto se algo chegasse assim tão próximo, ele teria ao menos escutado! Do que se tratava isso?
O deslizar se aproximava.
Heimdall, com os poderes que tinha, com seus sentidos, deveria ter percebido a criatura muito antes. Mas o que quer que o impedira de fazê-lo, o que quer que fosse, já não importava mais. Soprara sua corneta, soprara Giallahorn, com toda a sua força para que todo o mundo ouvisse. Para que toda a Asgard se preparasse.
A monstruosidade colossal grunhia e emitia silvos, estava agora a sua frente, elevando-se às alturas. Fizera um rombo em Bifrost, na área que atravessara para chegar ali. Isso era algo que estava além das capacidades mesmo de uma criatura dessas.
“Algo está errado!” pensara Heimdall.
Mas não havia tempo para pensar, Jormungand, a Serpente de Midgard, preparava-se para o ataque!
Os Quatro Panteões || Capítulo 13 - A Câmara Escura
Acordara em meio ao mais intenso breu. A respiração ainda arfante, a cabeça ainda girando. Hermes tombara em combate, mas não por ter em frente um inimigo mais forte, mas uma outrora aliada com os truques certos para pará-lo.
Sentia estar acorrentado, os braços unidos por uma pesada algema de ferro maciço, o corpo amarrado e preso a uma grande tábua vertical. Tentou se soltar, ao menos se mover, mas havia algo errado. Algo estranho aqui.
Ele já não sentia mais a sua força, a sua vitalidade, a sua velocidade. Era quase como se tivesse se tornado... um humano.
Abriu a boca, nenhum som saiu dela. Parecia fraco demais até para falar agora, talvez aquele gás ainda estivesse fazendo efeito?
Um cheiro mofado percorria aquele ar. Um ar abafado, quase contaminado percorria aquele lugar sombrio. Estranhos sons borbulhantes, silvos abafados e primitivos motores em funcionamento podiam ser ouvidos aqui e ali. Mas esses não eram os sons que o preocupavam: a alguns metros de distância apenas, baixo mas profundamente, um gemido ruidoso e áspero se propagava. Era humano, e ao mesmo tempo monstruoso, como um demônio agonizante que lutava por cada arfada de ar. Era aterrorizante até mesmo para um deus do olimpo.
Uma luz foi acesa. Não muito intensa a ponto de iluminar aquela estranha câmara, mas o bastante para que fosse possível enxergar nela.
Longas mesas cheias de livros, pergaminhos, tábuas e inscritos ancestrais ocupavam a maior parte daquela câmara. Tubos de ensaio com mais de dois metros estavam distribuídos próximos a cada mesa, dentro deles substâncias esverdeadas e gelatinosas.... e algo que parecia se mexer. Um esqueleto humanoide estava pendurado em uma das paredes, partes dos ossos removidas e largadas em uma mesa próxima, junto a meia dúzia de pergaminhos. Uma estranha máquina cinzenta emitia os ruídos de motor. E os sinistros gemidos revelaram-se proveniente de algo escondido sob um longo manto negro. O que quer que fosse, parecia estar depositado sobre uma das mesas, mas o manto cobria-o por completo. Só o que se via eram misteriosos fios saindo por sob o pano, ligando-o a áreas da câmara as quais Hermes não podia ver de onde estava.
- Já me perguntava quanto tempo ficaria dormindo querido - disse-lhe uma voz feminina às suas costas - seria um problema se estivesse morto sabe, meu aliado gosta de suas cobaias ainda vivas para que tudo dê certo.
Essa voz....
- Nem tente se esforçar agora, queridinho. Meus venenos vão te manter quietinho por um bom tempo ainda. Não há nada que possa fazer! hihihi!
Era Éris, a deusa do caos. Uma deusa do Olimpo. Do Olimpo, assim como ele! Quis gritar, quis falar alguma coisa, ao menos perguntar porque ela os traiu. Mas nada conseguia sair de sua boca.
A deusa caminhou desajeitadamente até a coisa sob o manto que gemia. Continuava nua, como antes, carregando erguido o pomo dourado do caos em sua mão como se o mostrasse para todos. Até seu jeito de andar era caótico, tropeçando em seus próprios pés, talvez de propósito. Era como se gostasse de não fazer sentido algum, de faltar com qualquer lógica ou razão. Talvez os tivesse traído pela pura confusão que isso causaria afinal.
Ela removeu o manto negro de cima da mesa. Agora a criatura de baixo dele era visível. Por uma fração de segundo, Hermes achou que conhecia aquele vulto humanoide, que já o tivesse visto antes.... mas não, não era o mesmo. Era grande e possuía no peito as mesmas estranhas marcas que o outro, mas a máscara era diferente. Era definitivamente um dos deuses das terras do Egito.... mas não era aquele que os visitara recentemente. A máscara desse era púrpura, mas fina e alongada e definitivamente não era a de um crocodilo!
Os fios que outrora apareciam apenas saindo por debaixo do pano revelaram-se estar ligados diretamente no peito daquele ser, profundamente encrustados em sua carne através de uma espessa agulha. Ele não se mexia muito, apenas tremia, de um jeito compulsivo e pavoroso. Uma aura sombria parecia recobri-lo.
- Aaaaah, você não imagina o trabalho que da trazer alguém dos mortos, ainda mais um sujeito do porte desse grandalhão aí! - disse uma segunda voz a se aproximar - É claro que os anões e os elfos escravos fazem todo o trabalho braçal e todos os cálculos e os experimentos mas... bem, sou eu quem comanda os malditos certo? Shehuhuh!
Dessa vez era Loki. Trocara a armadura de outrora por um elegante colete esverdeado. O sorriso malicioso por outro lado continuava intocado. Na verdade, ele e Éris mais pareciam um casal de assassinos sádicos com aqueles sorrisos.
- Nós demos muita sorte de escaparmos com você daquele pântano ligeirinho - disse-lhe Loki - o seu amigo gordalhão do cabelo roxo explodiu o lago inteiro e matou todas as minhas serpentes assim que viu que matamos um dos seus preciosos leões. Me pergunto aonde ele foi parar a essa altura do campeonato...
A criatura da máscara púrpura sacudiu-se furiosamente. A mesa em que estava parecia prestes a se quebrar a qualquer momento.
- Hum, acho que já está na hora! Retire os cabos e prepare tudo! - disse o deus das trapaças para Éris. Disse então virando-se para Hermes:
- É engraçado como, até a algum tempo atrás, eu nem saberia como fazer tudo isso. Sabe, nunca fui muito fã de magia ou ciência, apenas gosto de manipular os outros... até que um belo dia, meu velho amigo Bragi, o pomposo e deus do saber e da poesia, tentou se vingar de mim por uma de minhas velhas pegadinhas... sabe como é, uma historinha que eu inventei sobre a esposa dele, nada demais! Shehuhuhuhu! Mas enfim, ninguém me engana tão fácil, e agora ele está preso e tirando um belo “cochilo” num compartimento logo aí atrás de você - apontou para algum lugar atrás de ambos, para onde Hermes não poderia olhar preso ali.
Éris removera a agulha com os vários fios. Uma extensa cortina de fumaça negra cobriu a câmara, saindo da ferida.
- Enfim, dei um jeito de roubar o conhecimento do maldito... literalmente! Nada mais justo para compensar pelo velho ter me atacado oras! - prosseguiu Loki com seu discurso, ignorando a fumaça ao redor - Quando vi toda aquela informação a minha disposição, todo aquele saber disponível, somado ao meu próprio... que tolo seria se não aproveitasse!! Ainda mais agora, que estamos tão próximos de uma nova mudança nas eras, de um novo giro das rodas do tempo!!!
Éris trouxera uma pequena caixa, e dela retirou uma longa adaga dourada encravada de rubis. Entregou-a ao deus das trapaças que a examinou cuidadosamente.
- Aaah.... vejo que os anões fizeram um maravilhoso trabalho com essa aqui! Servirá bem aos propósitos que lhe daremos no momento.
Ele olhou para a criatura na mesa, depois para Hermes:
- Não se preocupe ligeirinho, logo chegará a sua vez de fazer parte do plano, por hora - e enfiou a adaga no peito da criatura, exatamente no mesmo ponto no qual os cabos estavam ligados - Por hora, o que precisamos é de um novo aliado para nossa pequena aventura!
A fumaça parou de sair, na verdade, começou a voltar para o corpo dele. Um poder inimaginável poderia ser sentido, mesmo de longe, emanando daquele ser. Através da máscara, podia-se ver um brilho escarlate a se intensificar. Os punhos da criatura cerrara-se.
- Lorde das chuvas, senhor das tempestades, Seth! LEVANTE-SE! - proclamou sorrindo o deus que acabara de acorda-lo - Trouxe-o de volta das cinzas e agora mais uma vez, viverá nos reinos da vida e dos mortais! Escute bem, pois tenho interessantes assuntos a tratar contigo!!
Os Quatro Panteões || Capítulo 12 - Terra de Crocodilos
As areias ancestrais que há milênios percorrem suas terras, os ventos
intensos e a vastidão do deserto. O grande e esplendoroso rio que
percorre o deserto, que o torna fértil, que o torna vivo.... o seu rio.
Estava de volta, finalmente.
Caminhara pelo longo e infindável deserto como se tivessem passado-se anos desde a última vez. O vento sem fim trazia-lhe lembranças de muitas eras diferentes.
Não demorou até que chegasse a margem do rio. Diferente de qualquer mortal, tinha seus próprios meios de atravessar tais vastidões em tempos que não lhe fossem desgastantes. E agora, finalmente diante de tão translúcidas águas, ele se transformou.
Sobek voltou a tomar a forma de um gigantesco crocodilo do nilo, maior que qualquer outro réptil ainda vivo em toda aquela terra. Era aquela a sua forma ancestral, sua forma pura que representava sua própria essência e alma. Trazê-la a seu corpo físico e então reprimi-la, dando lugar a um corpo auto-contido, provinha de uma técnica que apenas os imortais que repousam nas areias do Egito conheciam. Uma técnica que trouxeram de outro mundo, para que reinassem neste como os mais poderosos seres... ou ao menos seria assim não fossem outros imortais vivendo a apenas um pequeno mar de distância.
Como o rei dentre todos os crocodilos, Sobek submergiu nas águas do Nilo, nadando contra a corrente, e mesmo assim mais rápido do que qualquer outra criatura de rio. Chegaria em suas terras em pouco tempo. Não haveria muito tempo a se perder entretanto, estivesse Ele esperando seu retorno.
A missão já tinha sido encerrada. Sabia é claro, que o mesmo não poderia ser dito de seus serviços para com o imortal a quem se juramentara.
Virando a Leste, logo encontraria as ruínas. Povos mais recentes a chamavam de Al Fayum, mas aqueles que primeiro encontrara ali a chamavam de Shedyet. Os nativos de lá não ousavam construir suas moradias muito perto das ruínas do antigo templo, talvez porque soubessem quem vivia lá. Aquelas eram as ruínas da Cidade dos Crocodilos, e também o lar de Sobek.
Havia um grande lago, no qual um dos braços do Nilo desembocava, e por onde Sobek adentrou perante o grande templo de sua terra. O tempo transformara muito daquele lugar em ruínas, e embora a maior parte de seu templo perseverasse, havia um ar solitário e antigo na vista de todas aquelas antigas construções que o rodeavam, agora quase todas em pedaços. Mas isso não importava, não enquanto deixassem-no e a seus crocodilos ali e em paz.
Seus “filhos”, grandes e altivos, descansavam ao Sol quando o imortal submergiu. Alguns carregavam, dentre suas curtas e afiadas presas pequenos animais, capturados quando tentavam saciar-se nas águas. Todos pararam a vista daquele gigantesco réptil que emergia. As criaturas cercaram-no, e num desajeitado gesto, curvaram suas cabeças o máximo que conseguiam, tocando ao chão, numa estranha tentativa de mostrarem sua submissão. Mesmo os maiores dentre eles pareciam meros filhotes se comparados a grande forma animalesca que o deus tomara.
Vindos de dentro do templo, mais crocodilos chegavam, muitos com mais de 6 metros, embora ainda assim continuassem parecendo filhotes em tamanho quando perto do deus. Os crocodilos eram sagrados para os povos que construíram para ele aquele templo, e de certa forma também o eram para Sobek, que apreciava a companhia desses animais desde que pela primeira vez os encontrara. Tomara-os como simbolo e protegidos para si, assim como outros de seus irmãos o fizeram com diferentes animais. E agora era deles a forma que ganhava quando removia sua máscara, quando libertava seu verdadeiro poder.
- Está atrasado - disse uma voz sóbria e severa, vinda de cima do templo.
Os crocodilos pareciam confusos, Sobek não o estava. Já sabia quem era.
Não o respondeu imediatamente. Era difícil e desagradável falar nessa forma. Alguns deuses não encontravam problemas para fazê-lo, mas Sobek não era um destes, por isso apenas olhou para cima, encarando o grande falcão azul que pousara no topo da construção. Hórus possuía grandes olhos de falcão, que pareciam a tudo analisar e tudo saber, e ele agora parecia olhar diretamente para a alma de todos os seres ali presentes.
- Vamos. - disse o falcão, não com a boca, mas com uma voz que parecia vir de sua própria mente. A ave abriu suas majestosas asas e levantou voo, adentrando o templo em um rasante. O colossal crocodilo silenciosamente o seguiu, deixando seus protegidos animalescos para trás e também deixando para trás o seu rio.
Dentro do templo, havia um grande portal que não deveria estar lá. Parecia feito de mármore e possuía dois grandes portões que se abriram com a chegada de Hórus, mas estava no meio de um salão e portanto não poderia levar a lugar nenhum. Mesmo assim, os dois atravessaram-no.
Do outro lado do portão já não mais estava um salão, mas um corredor, repleto de hieroglifos. Ele dava para uma bela sala, adornada, cheia de estantes preenchidas por centenas de pergaminhos. Já não estavam mais em Shedyet. Não estavam nem próximo de lá mais. Ainda era o Egito, mas uma região diferente, aonde Hórus apreciava passar seu tempo. Estavam em sua biblioteca.
- Os homens, brutais como sempre, tentaram queimar essa bela biblioteca, mas eu e Tot pudemos salvar uma boa parte dela e a transportamos para um local mais seguro, para a minha apreciação particular - disse o deus falcão.
Já não eram mais dois grandes animais, mas dois seres de forma humana, altos e com grandes máscaras cobrindo-lhes os rostos. Um usava a máscara verde de esmeralda de um crocodilo, o outro, a máscara de lápis-lazúli de um falcão.
Olhando-se pelas janelas da sala podia-se ver apenas areia e mais areia do deserto. Estavam em um local perdido em meio a ele, numa torre construída por Hórus para abrigar os tesouros e conhecimentos aos quais dava algum valor.
O deus-falcão sentou-se numa bela poltrona vermelha, de madeira fina e rente a uma pequena mesa na qual blocos de pedra cobertos por escritas antigas foram empilhados.
- Creio que suas previsões estavam erradas, milorde. - disse-lhe Sobek, fazendo uma reverência. - Loki não estava no Tártaro como temia, mas sim um dos nossos, o próprio Anúbis! Ele libertou alguns dos prisioneiros dos olimpianos, alguns dos mais fortes e fugiu com eles.
- Chame-me pelo meu nome, caro Sobek - respondeu-lhe Hórus, tomando em uma mão um dos blocos com escritas antigas - Eu imaginei que fosse Anúbis. Já a algum tempo ele veio se aliando com outros dois deuses para seus próprios fins.
- Mas...
- Você é inteligente, Sobek, creio que já tenha percebido quando o viu. Acha que seria sensato propor aos olimpianos uma aliança só para avisar que um dos nossos é que estava invadindo seus territórios e libertando seus prisioneiro? E por favor, não precisa se ajoelhar, tem uma cadeira logo ali.
Sobek sentou-se. Hórus não parecia muito preocupado enquanto examinava desatentamente a pedra que tinha em mão. Diziam que os muitos anos de estudos acumulados pelas eras tornaram o herdeiro de Osíris muito sábio e sereno. Apenas o deus Tot era capaz de competir com ele quanto a inteligência e conhecimentos do mundo, mas estratégia e liderança, Hórus claramente venceria.
Sua forma humanoide era mais baixa que a de outros deuses, embora ainda muito alto para padrões humanos. Usava uma túnica azul, sem qualquer adereço e mesmo pela máscara era possível ver seu grande e distinto olho esquerdo, exatamente os mesmo de quando mantinha-se na forma de falcão. O direito fora perdido no passado, e substituído por um amuleto sagrado que Osíris lhe trouxera, o Olho de Hórus.
- Loki é perigoso, é verdade, e ainda vamos ouvir muito dele antes que todo esse caos acabe......mas não era minha prioridade no momento. Loki ainda não fez seu movimento, mas já tenho me preparado cuidadosamente para quando a hora chegar, resta apenas sermos pacientes.
- E quanto a Anúbis, o que será feito em relação a ele? - perguntou-lhe o senhor do rio.
- Anúbis.... - Hórus virou a pedra antiga para analisar calmamente os escritos do lado oposto - Ele não nos deseja o mal, nem o deseja a ninguém específico. Não é o seu feitio. Mas se ele acreditar que está fazendo algo pelo bem comum deste mundo, dessa existência.... creio que seja plenamente capaz de tentar matar a todos nós, e de conseguir os aliados que lhe forem precisos para isso. É isso o que ele buscava no Tártaro, com exceção de um deles é claro.
- Está falando daquele maior não é? - perguntou-lhe Sobek - Aquele cujo rugido pode ser ouvido por todo o planeta quando escapou. Eu estava a quilômetros e também ouvi. Lembro-me que só pela sua face podia-se ver que era o mais perigoso dentre eles!
- Sim, eu ouvi também. Tifão, ou “Tífon” se preferir, os que o temem deram-lhe muitos nomes, nenhum o verdadeiro.
- Parecia-me furioso e descontrolado, Anúbis devia saber disso quando o soltou, então porque o fez. Ele não poderia aliar-se a eles naquele estado.
Os olhos de falcão voltaram sua atenção a ele:
- Não, suas razões foram diferentes para esse..... O desequilíbrio que vem sido profetizado para os últimos tempos, o que quer que seja está intimamente ligado a um confronto inerente entre os panteões de imortais que existem nesse mundo. Se eles puderem evitar esse confronto definitivo, mesmo que isso exija um massacre de um ou mais panteões, eles farão isso, Tifão é uma criatura poderosíssima... mas mesmo assim...... talvez ele seja apenas uma distração. Algo que ocupe o bastante os olhos de todos para que façam seu verdadeiro movimento.... As possibilidades são variadas aqui, terei que cogitar com muito cuidado antes de decidirmos nosso próximo movimento.
Hórus pegou um pergaminho. Nele haviam inscritos que não eram daquelas terras.
- Diga-me Sobek... o que achou deles? Dos imortais que habitam o Mediterrâneo?
- São poderosos, mas muito burros meu senhor Hórus. A arrogância e prepotência deles supera a de qualquer mortal ou imortal que eu já tenha conhecido.... Ironicamente, um deles que vivera com os humanos não parecia tão arrogante quanto os que há século lá vivem.... mas é tão burro quanto os outros, infelizmente.
- Sim.... De fato..... - Hórus prosseguiu - Os olimpianos são famosos por sua história violenta e seu hedonismo, não que nosso passado seja melhor que o deles mas sempre acreditei que se chegasse o dia em que um dos panteões trouxesse o caos para esse mundo, seria o deles.
- É por isso que Loki os atacou? É por isso que Anúbis libertou o inimigo deles? É Odin quem está morrendo, mas as atenções parecem cada vez mais voltadas para os subordinados de Zeus...
- Sem dúvidas. O panteão deles é grande e.. tem uma “tendência” a destronar seus próprios pais, tios e irmãos. Se Loki quiser causar uma guerra entre os panteões, é neles que deve focar e se Anúbis deseja pará-la.... será eles que deverão ser destruídos.
- E quanto a nós? - perguntou o deus-crocodilo.
- Não sei quanto a você, mas não pretendo ser destruído tão cedo - disse-lhe o deus-falcão olhando pela janela de sua biblioteca, para as perdidas areias sem fim. - Permaneceremos como “ aliados” dos gregos enquanto for conveniente, conseguiremos toda a informação que for necessária, mas se for preciso que todos eles Morram para que nós E o mundo possa viver.... então que seja, não permitirei que tenhamos o mesmo destino, custe o que custar.
Em todo o seu discurso, o deus não parecia mudar de emoção, tem alterava sua voz serena por um mínimo que fosse.
- Creio que não tenha ouvido, mas quando entrávamos pelo portal um novo rugido veio de Tifão. Não tão alto como o de antes, já que fora direcionado especificamente para o Monte Olimpo.
- O que?
- Ele desafiou Zeus, em tom alto e claro, para uma revanche de seu antigo confronto do passado, no Monte Cássio... As coisas estão para mudar.
Caminhara pelo longo e infindável deserto como se tivessem passado-se anos desde a última vez. O vento sem fim trazia-lhe lembranças de muitas eras diferentes.
Não demorou até que chegasse a margem do rio. Diferente de qualquer mortal, tinha seus próprios meios de atravessar tais vastidões em tempos que não lhe fossem desgastantes. E agora, finalmente diante de tão translúcidas águas, ele se transformou.
Sobek voltou a tomar a forma de um gigantesco crocodilo do nilo, maior que qualquer outro réptil ainda vivo em toda aquela terra. Era aquela a sua forma ancestral, sua forma pura que representava sua própria essência e alma. Trazê-la a seu corpo físico e então reprimi-la, dando lugar a um corpo auto-contido, provinha de uma técnica que apenas os imortais que repousam nas areias do Egito conheciam. Uma técnica que trouxeram de outro mundo, para que reinassem neste como os mais poderosos seres... ou ao menos seria assim não fossem outros imortais vivendo a apenas um pequeno mar de distância.
Como o rei dentre todos os crocodilos, Sobek submergiu nas águas do Nilo, nadando contra a corrente, e mesmo assim mais rápido do que qualquer outra criatura de rio. Chegaria em suas terras em pouco tempo. Não haveria muito tempo a se perder entretanto, estivesse Ele esperando seu retorno.
A missão já tinha sido encerrada. Sabia é claro, que o mesmo não poderia ser dito de seus serviços para com o imortal a quem se juramentara.
Virando a Leste, logo encontraria as ruínas. Povos mais recentes a chamavam de Al Fayum, mas aqueles que primeiro encontrara ali a chamavam de Shedyet. Os nativos de lá não ousavam construir suas moradias muito perto das ruínas do antigo templo, talvez porque soubessem quem vivia lá. Aquelas eram as ruínas da Cidade dos Crocodilos, e também o lar de Sobek.
Havia um grande lago, no qual um dos braços do Nilo desembocava, e por onde Sobek adentrou perante o grande templo de sua terra. O tempo transformara muito daquele lugar em ruínas, e embora a maior parte de seu templo perseverasse, havia um ar solitário e antigo na vista de todas aquelas antigas construções que o rodeavam, agora quase todas em pedaços. Mas isso não importava, não enquanto deixassem-no e a seus crocodilos ali e em paz.
Seus “filhos”, grandes e altivos, descansavam ao Sol quando o imortal submergiu. Alguns carregavam, dentre suas curtas e afiadas presas pequenos animais, capturados quando tentavam saciar-se nas águas. Todos pararam a vista daquele gigantesco réptil que emergia. As criaturas cercaram-no, e num desajeitado gesto, curvaram suas cabeças o máximo que conseguiam, tocando ao chão, numa estranha tentativa de mostrarem sua submissão. Mesmo os maiores dentre eles pareciam meros filhotes se comparados a grande forma animalesca que o deus tomara.
Vindos de dentro do templo, mais crocodilos chegavam, muitos com mais de 6 metros, embora ainda assim continuassem parecendo filhotes em tamanho quando perto do deus. Os crocodilos eram sagrados para os povos que construíram para ele aquele templo, e de certa forma também o eram para Sobek, que apreciava a companhia desses animais desde que pela primeira vez os encontrara. Tomara-os como simbolo e protegidos para si, assim como outros de seus irmãos o fizeram com diferentes animais. E agora era deles a forma que ganhava quando removia sua máscara, quando libertava seu verdadeiro poder.
- Está atrasado - disse uma voz sóbria e severa, vinda de cima do templo.
Os crocodilos pareciam confusos, Sobek não o estava. Já sabia quem era.
Não o respondeu imediatamente. Era difícil e desagradável falar nessa forma. Alguns deuses não encontravam problemas para fazê-lo, mas Sobek não era um destes, por isso apenas olhou para cima, encarando o grande falcão azul que pousara no topo da construção. Hórus possuía grandes olhos de falcão, que pareciam a tudo analisar e tudo saber, e ele agora parecia olhar diretamente para a alma de todos os seres ali presentes.
- Vamos. - disse o falcão, não com a boca, mas com uma voz que parecia vir de sua própria mente. A ave abriu suas majestosas asas e levantou voo, adentrando o templo em um rasante. O colossal crocodilo silenciosamente o seguiu, deixando seus protegidos animalescos para trás e também deixando para trás o seu rio.
Dentro do templo, havia um grande portal que não deveria estar lá. Parecia feito de mármore e possuía dois grandes portões que se abriram com a chegada de Hórus, mas estava no meio de um salão e portanto não poderia levar a lugar nenhum. Mesmo assim, os dois atravessaram-no.
Do outro lado do portão já não mais estava um salão, mas um corredor, repleto de hieroglifos. Ele dava para uma bela sala, adornada, cheia de estantes preenchidas por centenas de pergaminhos. Já não estavam mais em Shedyet. Não estavam nem próximo de lá mais. Ainda era o Egito, mas uma região diferente, aonde Hórus apreciava passar seu tempo. Estavam em sua biblioteca.
- Os homens, brutais como sempre, tentaram queimar essa bela biblioteca, mas eu e Tot pudemos salvar uma boa parte dela e a transportamos para um local mais seguro, para a minha apreciação particular - disse o deus falcão.
Já não eram mais dois grandes animais, mas dois seres de forma humana, altos e com grandes máscaras cobrindo-lhes os rostos. Um usava a máscara verde de esmeralda de um crocodilo, o outro, a máscara de lápis-lazúli de um falcão.
Olhando-se pelas janelas da sala podia-se ver apenas areia e mais areia do deserto. Estavam em um local perdido em meio a ele, numa torre construída por Hórus para abrigar os tesouros e conhecimentos aos quais dava algum valor.
O deus-falcão sentou-se numa bela poltrona vermelha, de madeira fina e rente a uma pequena mesa na qual blocos de pedra cobertos por escritas antigas foram empilhados.
- Creio que suas previsões estavam erradas, milorde. - disse-lhe Sobek, fazendo uma reverência. - Loki não estava no Tártaro como temia, mas sim um dos nossos, o próprio Anúbis! Ele libertou alguns dos prisioneiros dos olimpianos, alguns dos mais fortes e fugiu com eles.
- Chame-me pelo meu nome, caro Sobek - respondeu-lhe Hórus, tomando em uma mão um dos blocos com escritas antigas - Eu imaginei que fosse Anúbis. Já a algum tempo ele veio se aliando com outros dois deuses para seus próprios fins.
- Mas...
- Você é inteligente, Sobek, creio que já tenha percebido quando o viu. Acha que seria sensato propor aos olimpianos uma aliança só para avisar que um dos nossos é que estava invadindo seus territórios e libertando seus prisioneiro? E por favor, não precisa se ajoelhar, tem uma cadeira logo ali.
Sobek sentou-se. Hórus não parecia muito preocupado enquanto examinava desatentamente a pedra que tinha em mão. Diziam que os muitos anos de estudos acumulados pelas eras tornaram o herdeiro de Osíris muito sábio e sereno. Apenas o deus Tot era capaz de competir com ele quanto a inteligência e conhecimentos do mundo, mas estratégia e liderança, Hórus claramente venceria.
Sua forma humanoide era mais baixa que a de outros deuses, embora ainda muito alto para padrões humanos. Usava uma túnica azul, sem qualquer adereço e mesmo pela máscara era possível ver seu grande e distinto olho esquerdo, exatamente os mesmo de quando mantinha-se na forma de falcão. O direito fora perdido no passado, e substituído por um amuleto sagrado que Osíris lhe trouxera, o Olho de Hórus.
- Loki é perigoso, é verdade, e ainda vamos ouvir muito dele antes que todo esse caos acabe......mas não era minha prioridade no momento. Loki ainda não fez seu movimento, mas já tenho me preparado cuidadosamente para quando a hora chegar, resta apenas sermos pacientes.
- E quanto a Anúbis, o que será feito em relação a ele? - perguntou-lhe o senhor do rio.
- Anúbis.... - Hórus virou a pedra antiga para analisar calmamente os escritos do lado oposto - Ele não nos deseja o mal, nem o deseja a ninguém específico. Não é o seu feitio. Mas se ele acreditar que está fazendo algo pelo bem comum deste mundo, dessa existência.... creio que seja plenamente capaz de tentar matar a todos nós, e de conseguir os aliados que lhe forem precisos para isso. É isso o que ele buscava no Tártaro, com exceção de um deles é claro.
- Está falando daquele maior não é? - perguntou-lhe Sobek - Aquele cujo rugido pode ser ouvido por todo o planeta quando escapou. Eu estava a quilômetros e também ouvi. Lembro-me que só pela sua face podia-se ver que era o mais perigoso dentre eles!
- Sim, eu ouvi também. Tifão, ou “Tífon” se preferir, os que o temem deram-lhe muitos nomes, nenhum o verdadeiro.
- Parecia-me furioso e descontrolado, Anúbis devia saber disso quando o soltou, então porque o fez. Ele não poderia aliar-se a eles naquele estado.
Os olhos de falcão voltaram sua atenção a ele:
- Não, suas razões foram diferentes para esse..... O desequilíbrio que vem sido profetizado para os últimos tempos, o que quer que seja está intimamente ligado a um confronto inerente entre os panteões de imortais que existem nesse mundo. Se eles puderem evitar esse confronto definitivo, mesmo que isso exija um massacre de um ou mais panteões, eles farão isso, Tifão é uma criatura poderosíssima... mas mesmo assim...... talvez ele seja apenas uma distração. Algo que ocupe o bastante os olhos de todos para que façam seu verdadeiro movimento.... As possibilidades são variadas aqui, terei que cogitar com muito cuidado antes de decidirmos nosso próximo movimento.
Hórus pegou um pergaminho. Nele haviam inscritos que não eram daquelas terras.
- Diga-me Sobek... o que achou deles? Dos imortais que habitam o Mediterrâneo?
- São poderosos, mas muito burros meu senhor Hórus. A arrogância e prepotência deles supera a de qualquer mortal ou imortal que eu já tenha conhecido.... Ironicamente, um deles que vivera com os humanos não parecia tão arrogante quanto os que há século lá vivem.... mas é tão burro quanto os outros, infelizmente.
- Sim.... De fato..... - Hórus prosseguiu - Os olimpianos são famosos por sua história violenta e seu hedonismo, não que nosso passado seja melhor que o deles mas sempre acreditei que se chegasse o dia em que um dos panteões trouxesse o caos para esse mundo, seria o deles.
- É por isso que Loki os atacou? É por isso que Anúbis libertou o inimigo deles? É Odin quem está morrendo, mas as atenções parecem cada vez mais voltadas para os subordinados de Zeus...
- Sem dúvidas. O panteão deles é grande e.. tem uma “tendência” a destronar seus próprios pais, tios e irmãos. Se Loki quiser causar uma guerra entre os panteões, é neles que deve focar e se Anúbis deseja pará-la.... será eles que deverão ser destruídos.
- E quanto a nós? - perguntou o deus-crocodilo.
- Não sei quanto a você, mas não pretendo ser destruído tão cedo - disse-lhe o deus-falcão olhando pela janela de sua biblioteca, para as perdidas areias sem fim. - Permaneceremos como “ aliados” dos gregos enquanto for conveniente, conseguiremos toda a informação que for necessária, mas se for preciso que todos eles Morram para que nós E o mundo possa viver.... então que seja, não permitirei que tenhamos o mesmo destino, custe o que custar.
Em todo o seu discurso, o deus não parecia mudar de emoção, tem alterava sua voz serena por um mínimo que fosse.
- Creio que não tenha ouvido, mas quando entrávamos pelo portal um novo rugido veio de Tifão. Não tão alto como o de antes, já que fora direcionado especificamente para o Monte Olimpo.
- O que?
- Ele desafiou Zeus, em tom alto e claro, para uma revanche de seu antigo confronto do passado, no Monte Cássio... As coisas estão para mudar.
Os Quatro Panteões || Capítulo 11 - Serpentes e Leões
A cabeça doía e girava, fora arremessado longe pelas criaturas. Desviara-se vez após vez, mas foram muitas atacando juntas dessa vez. Essas... serpentes ou o que quer que fossem! Um passo em falso e teria caído direto nas poças de veneno criado pelos ataques e investidas sem fim que lhe distribuíam.
Uma delas, que parecia ter a pele feita do mais puro aço teimava em jogar-se em sua direção, dando o bote na tentativa infrutífera de engoli-lo. Era rápido demais para essa, assim como para a outra que parecia estar cuspindo veneno, ou o que quer que fosse aquele lodo negro e corrosivo! Logo vinha uma terceira, com a cabeça igual a de um dragão, que não parava de cuspir fogo para todo lado.
Havia derrubado algumas com sua velocidade descomunal, capaz de mover o vento e criar ondas de choque, outras havia derrubado com seu caduceu seu bastão adornado que escondia uma lâmina sagrada e mortal, feita pelo próprio Hefesto.
Acontecesse o que fosse, Hermes já decidira que não fugiria dali, nem cairia perante monstros tão estranhos... mesmo que outra rajada de veneno corrosivo estivesse vindo diretamente em sua direção! Mas seria mais rápido! Era o mensageiro dos deuses, o mais veloz de todo o Olimpo, afinal.
Estavam no Lago de Lerna havia algum tempo a essa altura, ele e o irmão, mas provavelmente não sairiam de lá tão cedo. Não em meio a uma situação dessas. A primeira serpente que os atacou foi morta facilmente. Não era muito forte... ao menos não para um deus. Algumas das centenas que vieram depois também não, o problema era justamente serem centenas.
Acima do lago, podia ver Dionísio pulando em cima de uma das maiores dentre as serpentes. Ela parecia ser feita de grandes rochas enfileiradas uma após a outra, e tinha um grande chifre na testa. O gordo deus do vinho agarrara-se em tal chifre e agora guiava-o em direção às outras serpentes, fazendo-as colidir e matando as menores. Pouco tempo antes havia despedaçado em pedaços uma serpente de três cabeças cujo corpo constituía-se, na maior parte de milhões de pequenos blocos de bronze triangulares, depois disso, Dionísio cuidou de partir ao meio uma serpente feita de gelo.... e jogá-la em outra serpente, feita de magma. Ele não parecia precisar de ajuda no momento.
À margem do lago, Loki continuava apenas assistindo, seu sorriso sádico esculpido no rosto como se não possuísse mais qualquer outra expressão para esboçar.
- Shehuhuhu! - riu com sua voz aguda - Como esperado, os espécimes se acostumaram rapidamente ao ambiente. 257 já foram eliminados mas os que restam parecem fortalecerem-se... ou será que vocês olimpianos não são tão fortes quanto amam se gabar? Já estão se cansando?
Hermes ignorava-o completamente, assim como evitava suas palavras. Já tentara ataca-lo duas vezes, mas sempre uma das cobras entrava no caminho. Na primeira tentativa, mesmo sendo veloz, foram tantas as que apareceram que não teve escolha a não ser focar-se nelas. Na segunda, conseguiu deixá-las para trás, mas quando pensou que atravessaria o deus das trapaças a toda velocidade, ele simplesmente desapareceu no ar, como fumaça! Olhando-se a direita e o pálido deus já podia ser visto novamente, a alguns metros de distância, com aquele mesmo sorriso sádico. “Ilusões!”, logo percebera.
Tentou tirá-lo da cabeça, conforme corria por entre os espinhos de um monstro encouraçado que acabara de surgir, preocuparia-se em acertar a cara do deus irritante quando fosse possível achar seu verdadeiro corpo. O monstro era maior e mais forte do que o esperado, mas também mais lento e podia ser ferido várias e várias vezes antes de reagir.
Dionísio parecia ter se entediado da serpente de pedra, com um pulo, destacara a cabeça rochosa da criatura do resto de seu corpo. Agora, com cada mão arrancava um bloco de pedra do corpo morto do monstro e usava-o contra as outras cobras que vinham.
- Hahaha!!! Irmãozinho, que tal a gente domesticar esses bichos e transformar num jogo, ahn?! Tá começando a ficar divertido, pena que só uma fera era feita de pedras HA!!
O deus das festas então pulou no lago, e com sua grande pança esmagou uma serpente vermelha que tentava submergir.
- Quem sabe uma outra hora... - Sem tempo para brincadeiras agora, Hermes pensou. Loki continuava olhando-os de longe, rindo feliz do combate. “Se ao menos pudesse encontrar o original...” pensou.
Sabia que Loki não estaria exposto a céu aberto. Para isso lhe serviriam suas ilusões. Raios, talvez sequer estivesse por ali afinal! Mas se bem que, dependendo de seus planos...
Voou para cima e além, escapando das mandíbulas de uma criatura após a outra. Quando estava em uma distância figura, correu seus olhos por toda a região. Não adianta ser veloz se não se tem a capacidade de ver além. Qualquer mínimo vulto qualquer mínima sombra, qualquer.. ALI!
- Cuidado aí em cima!!! - gritou o gordo irmão, um pouco tarde, já que a cabeça que arrancara e arremessara para cima já havia o atingido.
- Dio.... - gritou Hermes, tentando se livrar do sangue asqueroso que o cobrira - será que pode segurar as coisas por aqui por um tempo?
- Relaxa, não viu que a ajuda já chegou irmão?! Hah, olha lá!! - apontou para uma área do lago que havia se tornado vermelha e repleta de pedaços arrancados de monstros. Os quatro leões de Dionísio estavam lá, atacando e devorando as serpentes uma a uma. Um dos leões parecia inclusive estar cuspindo fogo!
- Fifi! - gritou o senhor dos vinhos para um de seus mascotes. - Vai ajudar o Hermes, vai meu filho! Ele é rápido, mas pode precisar de um pouco de sua força! Relaxa irmãozinhoooo, Fifi vai te ajudar!!!
“Inacreditável...”, pensou. Mas não havia tempo para discussão agora. Com ou sem leão, precisava alcançar seu alvo antes que escapasse. Hermes desceu então de onde estava, em um único giro cortando duas serpentes que ainda teimaram em ficar no caminho. O leão veio junto e ambos, adentrando-se na sombria e pantanosa floresta pularam com tudo, furiosos, para cima do vulto de Loki que...... desviou?
- Nada mal para um deus inferior - riu Loki, conforme empalava Fifi em sua garganta com uma longa e afiada lança.
O leão agonizou por alguns instantes antes de tombar inerte.
- Uma criatura forte sem dúvida, mas não tão resistente nessa área da garganta. Uma arma de adamanto na área correta e problema resolvido!
Um cheiro muito estranho pairava. O ar parecia estranhamente rarefeito.
- Você... - Hermes sussurrou antes de atacar com tudo. Atacar em sua velocidade máxima. Uma velocidade que a esta distância, nenhum ser nem nenhum deus qualquer que fosse poderia superar, jamais...... e errou.
“O que?” Lento demais, havia algo errado aqui! Porque não estava mais rápido?
Percebeu que estava no chão.... mal conseguia se levantar!!!
- Qual o problema meu caro? - perguntou Loki, rindo baixinho, aproximando seu seu rosto pálido, seu nariz retilíneo e seus cabelos claros como a neve. - Até parece que não consegue respirar! Shehuhuhuhuhuhuhu!
Havia outro riso além do dele. Um risinho frenético e feminino. Hermes se virou. Havia uma mulher caminhando na direção de ambos.
Era bela e tinha longos cabelos dourados. Seus olhos eram dourados também e parecia estar sempre sorrindo. Com a exceção de um par de braceletes dourados, encontrava-se completamente nua, mas parecia agir naturalmente, como se não o estivesse.
- Desculpe-me pelo atraso, mas vejo que já conseguimos um nova cobaia não é mesmo? - dizia ela com uma voz alegre porém estranhamente perversa.
A bela mulher carregava consigo uma grande maçã dourada, e era desta maçã que o gás parecia estar vindo, por mais bizarro que isso pudesse parecer.
A cabeça de Hermes já parecia repleta desse gás, mas ainda podia reconhecê-la:
- Você... o que você.... Éris? - não conseguia dizer mais nada. Foi tomado por uma tosse incessante, e sentiu-se prestes a tombar a qualquer momento. Loki sentou-se a seu lado, como se esperasse até que isso acontecesse:
- Graças aqueles egípcios... aqueles intrometidos, vocês do mediterrâneo tomaram consciência de minhas ações. Sim, é verdade, tinha planos grandiosos para todos vocês, mas acreditem, não é de destruição que estou falando.
Éris sentou-se ao lado deles, ambos com os olhos fixos no deus caído.
- Meus planos são maiores do que uma mera destruição infrutífera.... iremos criar algo novo! Algo completamente inédito nesse mundo! Os tempos estão mudando e vamos aproveitá-lo para mudá-lo para algo que você nunca imaginou!!!
Os olhos do mensageiro caíam pesados, sua mente cada vez mais zonza....
- Durma bem meu caro... e prepare-se PARA UM NOVO MUNDO!!!!!!!!!
Os Quatro Panteões || Capítulo 10 - Cronos
Aquele lugar fedia.
O Tártaro não era um lugar agradável sob qualquer perspectiva. Fogo e dor eram sinônimos de seu nome, e mesmo assim..... ele ria. Ria loucamente, desvairadamente, como se cada fio de sanidade tivesse perecido em meio a fome e sede.... mas ainda assim ria.
Já fora o deus do tempo, já fora o deus da agricultura, já fora o pai e líder de todo um panteão divino... agora não passava de uma pilha ensandecida de ossos e pele. Um gigante velho e magro e sujo. O último resquício de uma era. A era dos Titãs e de Cronos, há muito esquecida pelo mundo.
- Vejo que andaram fazendo muito barulho aqui por perto!! - disse Cronos. Ele não gritava, quase parecia sussurrar, mas sua voz estrondosa soava mais alta que qualquer outra ali. Mais alta que o som de um trovão. Parecia ecoar por todo o Tártaro.
- Não vim aqui para conversar contigo, escória! - disse um furioso Apolo, apontando a lança na direção do peito do titã - Quero saber e é agora! Como seus companheiros fugiram daqui? Quem era aquele que os ajudou? O que planejavam? O que...
- ORA, ORA, ORA! Não é educado encher de perguntas um velho cansado! Ainda mais o próprio avô. CRRE!!!! É o filho de Leto não é mesmo? - disse estudando o deus abaixo dele com seus olhos vidrados - Só mais uma das muitas “vítimas” de meu filho! O Céos ficou furioso quando soube disso! Ele é seu avô também, sabia? GOSTOU DE REVÊ-LO?? CRRRRUU-CRE CREEECREEEE!!
O deus dourado estava sério, seu rosto fechado. Parecia prestes a jogar sua lança em direção ao prisioneiro a qualquer instante. Desde que os titãs escaparam, ele fora o que mais desesperara-se com toda a situação. Heracles ainda se lembrava dos urros furioso que ouvira dele quando acordara a pouco tempo atrás. Talvez, pensara, ele se culpasse pela fuga, ou talvez apenas soubesse a ameaça que seu reinado encontrava agora.
- Pelo que soube, meu filho ingrato tem arranjado descendentes o bastante para povoar um planeta inteiro desde que roubou-me o trono. Pergunto-me quanto tempo ainda vai levar até que um dele derrube de uma vez aquele molenga de cima do Olimpo, com uma boa punhalada nas costas! Pergunto-me quanto tempo leva até a próxima guerra pelo controle! CRRUU-CRRE! Diga-me douradinho... - direcionou-se novamente a Apolo - Será você o meu querido neto que vai dar continuidade a nossa velha tradição de trair e destruir o próprio pai?
Apolo já parecia prestes a erguer a lança, furioso.
- O que foi pivete? - exclamou jocoso o acorrentado titã, encarando a lança dourada à sua frente - Acha que eu temo essas suas faquinhas e espetos? Se quer me matar fique a vontade para tentar, o tédio desse lugar já matou minha alma à séculos! CRRU-CRRE CRREECREEE! Só lembre de deixar essa lança bem limpinha depois para quando for a vez do pobre Zeus! CRRRUUUUCRRE!!
A cada vez que ria, as correntes que o prendiam chacoalhavam junto de seu corpo flagelado, num tremor perturbador e cheio de rangidos.
Thanatos pôs a mão no ombro do deus.
- Precisavam estar calmos naquela hora - disse - perder tempo atacando um prisioneiro como ele não vai ajudar. O Tártaro deixara Cronos completamente louco. Talvez por isso que não fugira com o resto deles quando teve a chance de ser liberto.
Heracles, Apolo e Thanatos eram os únicos que haviam restado para interrogar o titã. E mesmo assim talvez não tivessem também eles muito tempo para estar lá. Não quando AQUELA criatura também estava a solta.
- Ah, então foi por isso que eu não fugi, é o que acha? - Agora falava chacoalhando a cabeça de um lado para o outro. Seus poucos fiapos de cabelo restantes se lançando contra seu rosto. - Talvez eu só não tivesse achado graça no joguinho que o velho chacal quis jogar conosco! Posso estar entediado por aqui, mas se eu quiser brincar lá fora, não será para servir de capacho sob as ordens de ninguém!!
A cada palavra dita, gotas de saliva suja e negra saíam de sua boca. Um fio de saliva escorria por entre seus poucos e apodrecido dentes, uma saliva que mais parecia piche.
- Diga-nos, o que ele queria? - perguntou Thanatos.
Um leve sorriso desdentado percorreu a boca do titã.
- Saaabe como é... - falou bem baixo Cronos, embora com sua voz, ainda soasse tão alto quanto antes - Aquelas velhas profecias de sempre. Essa em especia falava especialmente dos desastres que vocês lá em cima vem causando, e do fim apocalíptico que isso vai trazer! CRRRU! Nunca foi muito de acreditar nessas profecias.... até que um certo filho ingrato fez comigo o meso que eu fizera com meu paaai!!
Heracles parecia estar completamente perdido com a conversa daqueles seres. Mesmo que já fosse um deles, ainda não se sentira como tal.
- Nós podemos estar presos aqui a sei lá mais quanto tempo..... mas mesmo um imortal acorrentado ainda teme o fim da própria existência em si... Menos eu é claro!! Eu francamente não dou a mínima!!! CRRRRRUUUUUUUUUUCREEEEEE!!!!!!!! Teríamos que fazer um juramento, é claro, se quiséssemos escapar. Uma promessa de sangue e alma para servirmos a ele e a seus aliados... e foi o que meus caros irmãos e companheiros acabaram preferindo afinal!! Não é bem liberdade quando se está acorrentado a vontade de alguém sabem? Não vejo graça nenhuma nisso... CRRU!
- Um... juramento?
- Onde eles estão? Onde eles se escondem? - perguntava Apolo novamente em tom ameaçador.
Cronos apenas encarou-o mais um pouco e riu insanamente. Como se tivesse ouvido uma piada tão engraçada que não conseguisse parar. Então olhou para Heracles logo ao lado e lhe falou:
- Eu ficaria de olho no douradinho viu! Ele tem baita cara de traííiiiiiiiira!! Todos esses filhos de meu filho, todos esses proclamados Olimpianos.... só estão sedentos, aguardando a vez deles de tomarem todo o poder para si e se livrarem dos próprios parentes.... todas as nossas gerações são iguais afinal! SOMOS TODOS PODRES!!! CRRRRUUUUUU CREEE CREEE CRE...
- CALE-SE gigante estúpido! - exclamou o deus solar - Se sua laia pensa que vai voltar a assumir o controle! Que vai nos derrubar de nosso lugar de direito como os verdadeiros deuses do..
- Verdadeiros???! - a cabeça de Cronos parou de balançar - Povos chamaram minha era como a Era de Ouro do Mundo, seu pirralho! Nos preocupávamos com o equilíbrio das coisas naquela época!! O que vocês já fizeram além de comer, obrigar outros a venerá-los e fabricar bastardos com qualquer coisa viva que se movesse durante TODO ESSE TEMPO!!!!
Ele parou de rir, e sua voz voltara a se levantar, ecoando em todo canto e em todas as direções.
- Você disse que eles foram recrutados não foi? - perguntou o deus da morte, deixando de lado a fúria de seu companheiro - O que o chacal planeja fazer com a servidão de seres tão poderosos?
O titã voltou a sorrir estranhamente:
- Hmmm.... Sim, recrutados.... Ele não me disse mas imagino que se o universo vai mesmo colapsar, seres muito fortes seriam necessários para impedir isso certo? Talvez eles precisem fazer o que pivetes arrogantes como vocês são cegos demais para ver ser necessário! Ou talvez... talvez.. ELES SÓ MATEM CADA UM DE VOCÊS CRRRRRRUUUUUUUUUCREEEEE CREEE CREEE CRRRRUUUUUUUUUUUUUU CREEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!!!!!!!!!!!!
“Recrutados.... o que está acontecendo aqui?” Pensava Heracles. “Tudo isso não parecia fazer sentido, que tipo de criatura teria poder o bastante para por sete deuses furiosos sob seu domínio? O que eles estariam planejando?”
- Mas vocês são é muito tolos em se preocupar com um grupinho de prisioneiros como aqueles! - Cronos finalmente parara sua risada lunática. Mas o sorriso, um tanto sádico, permanecia lá, assim como seu hálito fétido. - Esqueceram-se já de quem mais escapou? O Tifão estava preso bem longe de mim, mas até daqui dava para ouvi-lo berrando, sem parar, todos os dias de todos esses anos! Sempre gritando sobre o quanto ele queria dilacerar aquele que o derrotou no exato instante em que saísse desse lugar!! Ele deve estar sedento de vingança não acham? CRRUUUUUUUUCREEEEE!!!
Enquanto isso, muito distante dali....
Distante do Tártaro e de todo o submundo. Em algum lugar na superfície....... Uma fera mais tenebrosa que o pior de todos os pesadelos terminava de devorar a carne de um deus olimpiano. Não era um dos 12 grandes, e o monstro sabia disso, mas sua fome e sede de vingança exigiam-lhe a carne de um imortal. Era Cérix filho de Hermes quem tivera esse terrível azar, de avistar tal pesadelo horrendo. Fora tudo rápido, antes mesmo que pudesse reagir.... antes mesmo que pudesse correr.... que pudesse gritar, vira com horror cada órgão de seu corpo ser devorado cruelmente, e só pereceu de uma vez quando seu corpo inteiro já estava rasgado por um tentáculo longo e afiado como navalha.
A besta rugia e amaldiçoava um nome. Um único nome que não saíra de sua mente por gerações:
-ZEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEUUUUUUUUUUUUUUS!!!!!
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