sábado, 11 de agosto de 2012

Os Quatro Panteões || Capítulo 14 - O Trovão e o Vigia


Em Asgard:

- Eu sinto... eu sinto o fim de todos os mundos e de todas as eras.... a resposta está em Midgard! Thor, você precisa ir!

A essa altura, poderiam ser apenas delírios, apenas ilusões sofridas por um doente acamado. Ele já estava em um péssimo estado afinal. Mas aquele era Odin, e sua palavra não era pouca coisa, mesmo naquele estado.

Primeiro houve o desaparecimento repentino de Bragi. E então, isso. O poderoso deus adoecera, de repente. Um evento que pegara a todos de surpresa pela simples impossibilidade disso acontecer. Mesmo acamado, o senhor de Asgard ainda parecia portar um gigantesco poder, e uma gigantesca sabedoria.
Ele não parava de falar sobre aquelas coisas, mesmo durante o sono. Balbuciava profecias antigas, lendas esquecidas, tudo o que de acordo com ele, direcionava-os aos eventos daquela era, que a tudo mudariam. E agora pedia a seu próprio filho, Thor, para que descesse ao Midgard. Isso não seria problema nenhum, se não fosse aqueles a quem o filho deveria encontrar. De acordo com Odin, Thor deveria encontrar os outros panteões divinos. Não só encontra-los, mas fazer a paz entre eles. Precisariam evitar, a qualquer custo, uma guerra entre eles, ou não haveria depois disso, nada mais pelo que lutar.

- Esse plano é absurdo - disse-lhe Tyr - os egípcios não são confiáveis, e os olimpianos não passam de brutos pervertidos e sanguinários! Se tentarmos um contato com eles, aí sim teremos guerra!

- Confie em mim Tyr - respondeu-lhe tossindo o adoecido Odin - Não temos outra escolha a não ser tentarmos. Deixemos aos ventos, e estaremos todos condenados.

Vários deuses rodeavam o rei de Asgard em seu leito. Thor, Tyr, e Frey eram os que mais estavam próximos dele ali. Os dois últimos governavam Asgard sob o nome e as ordens de Odin nesse momento de crise.

- Eu confio em tuas palavras, meu pai - disse Thor, determinado - Confie também em minha força e em meu martelo. Descerei até a Terra novamente e descobrirei a fonte desses desastre que clamas tão veementemente!

- Seu martelo... Thor, ouça-me. Aconteça o que acontecer, não os ataque. É preciso que haja paz nos panteões... é preciso que se preparem..... que se preparem para a ameaça..... a a-ameaça que que está vindo. Eu a vejo........ vejo.... mas é nebulosa demais para que possa..... identifica-la.

 - Pai... eu entendo.

- Perigos que ainda não conhece chegaram - anunciou-lhe o pai, então apontando para uma relíquia que a esposa do filho, Sif trazia em suas mãos - Aqui, pegue-a! Não estou em condições de usá-la mesmo.

Entregou-lhe a esplêndida lança. Aquela era Gungnir, a arma sagrada de Odin.
- O Mjolnir é poderoso, mas por garantia, visto as coisas que poderá encontrar.... é melhor usar isto também.
Em uma mão o poderoso Mjolnir, na outra a divina Gungnir. Thor tinha agora o poder para seguir adianta em sua nova missão.

Em Bifrost:

Em pé, sempre de guarda, o antigo imortal cumpria seu trabalho divino, sua tarefa suprema. Ali, sobre a esplendida Bifrost, sem dormir um único dia, Heimdall prosseguia sua vigia.

A visão majestosa que se tinha do universo era inigualável, não importasse o mundo em que se vivesse, não encontraria-se outra igual. Nove mundos, nove reinos de tamanho e proporções além da compreensão de qualquer ser que neles habitasse, nove mundos cheios de riqueza e vastidão:

Jotunheim, a selvagem terra dos gigantes Jotuns; Nidavellir, o mundo subterrâneo dos anões; Alfheim, terra dos elfos; a sagrada Vanaheim; Svartalfheim, terra dos elfos sombrios; as congeladas e fúnebres terras do Niflheim e o flamejante mundo de Musphelhein. Ao fim da ponte ficava Asgard, a morada de seus irmãos, de seu panteão. Ao fim da outra borda da ponte, abaixo, muito abaixo ficava Midgard.

Midgard... não possuía as maiores riquezas. Era povoada por um dos povos mais fracos da criação, pelos mortais humanos, que às mínimas fraquezas, que à menor doença, já pereciam. Mas era em Midgard que tudo aconteceria, que tudo sempre aconteceu. Muitos povos imortais das mais distintas origens migraram para lá. E monstros e criaturas com poderes além da imaginação nasciam de suas passagens. Havia algo de estranho com Midgard, afinal. Sempre houve algo.

Um homem alto, forte, com uma longa cabeleira castanha aproximava-se, descendo a ponte. Em uma mão carregava um martelo, na outra um lança.

- Eu os ouvi Thor, já sei de tua missão. Acha que está pronto para enfrentar os perigos que virão?
- E quando foi que não estive - respondeu-lhe com um sorriso - Posso não conhece as ameaças que vão além de nosso panteão Heimdall, mas acredite, não descansarei até que tudo seja resolvido, irei curar meu pai!

O vigia olhou-o apreensivo. Não sabia se algo assim seria possível. Entregou ao deus um envelope dourado, lacrado e de aspecto curioso, iria confiar nele afinal. Grandes perigos podiam ser sentidos do outro lado da ponte, mas se havia alguém que poderia fazer frente a eles, esse alguém era Thor.

- Gostaria de ir também, mas não posso largar meu dever aqui. Esse envelope contém um mapa especial, detalhando toda a terra de Midgard e dos outros oito mundos como eles são agora. Até que nos encontremos de novo, manterei meus olhos abertos, e saberei tudo o que for preciso para ajudá-lo. Agora vá e se apresse, filho de Odin.

Thor agradeceu-lhe. Com suas armas em mãos, com a lança bem guardada, partiu para as terras mortais, cheio de sua determinação. “O destino decidirá o fim de cada carta agora”, pensou Heimdall. O destino...

Um estranho som, um leve, quase inaudível deslizar. Parecia mais próximo do que deveria, muito mais.

“Não é possível’” pensou. Ele via tudo, ouvia tudo. Sua visão aguçada ia além da de qualquer outra! Ele teria visto se algo chegasse assim tão próximo, ele teria ao menos escutado! Do que se tratava isso? 

O deslizar se aproximava.

Heimdall, com os poderes que tinha, com seus sentidos, deveria ter percebido a criatura muito antes. Mas o que quer que o impedira de fazê-lo, o que quer que fosse, já não importava mais. Soprara sua corneta, soprara Giallahorn, com toda a sua força para que todo o mundo ouvisse. Para que toda a Asgard se preparasse.

A monstruosidade colossal grunhia e emitia silvos, estava agora a sua frente, elevando-se às alturas. Fizera um rombo em Bifrost, na área que atravessara para chegar ali. Isso era algo que estava além das capacidades mesmo de uma criatura dessas.

“Algo está errado!” pensara Heimdall.
Mas não havia tempo para pensar, Jormungand, a Serpente de Midgard, preparava-se para o ataque!

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